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publicado em 28/11/2013 às 09h46, Da Redação
Investigações apontam Dr. Jarbas como mandante de atentado
“Sua esposa, Sueli Teixeira, e seu motorista Ronaldo também foram indiciados como mandantes do crime”, afirma delegado
Dr. Piva dando detalhes a respeito das investigações durante a coletiva de imprensa na Seccional
Breno Guarnieri

Na manhã de ontem, dia 27, o delegado responsável pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Dr. Gerson Piva, convocou a imprensa local e regional para esclarecer as investigações a respeito do atentado contra o médico Orlando Cândido Rosa, ocorrido em junho passado.
Durante a coletiva, realizada na sede da Seccional de Polícia, Dr. Piva se mostrou confiante em relação aos fatos apurados por sua equipe. Na ocasião, o delegado declarou que as investigações apontaram o oftalmologista Dr. Jarbas Alves Teixeira como um dos mandantes da tentativa de homicídio qualificada contra o colega de profissão, Dr. Orlando. Também são apontados como mandantes, sua esposa Sueli Teixeira, e o seu motorista particular, Ronaldo Mota.
De acordo com Dr. Piva, o atentado foi arquitetado após o casal (Jarbas e Sueli) ter começado a receber anonimamente diversas cartas e ligações telefônicas com conteúdo íntimo em “tom ameaçador”. As ligações eram feitas por Lucas Simões (conhecido de Ronaldo), que vinha de Jales, e usava orelhões em Fernandópolis. Ele também escrevia as cartas, sendo que recebia R$ 200,00 por cada uma. Essas ameaças foram a mando do motorista Ronaldo, com a intenção de induzir Dr. Jarbas a investir em segurança, uma vez que possuía diversos “contatos” nesta área e queria levar vantagem financeiramente com a preocupação do médico.
Dr. Jarbas, ciente de que estava sendo “ameaçado”, atendeu ao pedido de Ronaldo e começou a investir em segurança para sua família. A filha do casal ia para academia acompanhada de um segurança particular. Todo o “esquema de segurança” era tratado por Ronaldo, que até então, obtinha êxito na sua articulação realizada “pelas costas” do Dr. Jarbas, que tinha plena confiança em seu funcionário.

Cartas e telefonemas
Ronaldo montou um esquema e articulou as ameaças, já que tinha conhecimento da vida pessoal do casal, objetivando sempre levar vantagem. O que chamou a atenção do Dr. Jarbas, durante as ameaças, era de que o conteúdo das cartas era muito íntimo, sendo que apenas três pessoas sabiam de tais situações: o próprio motorista, Dr. Orlando, além de uma terceira pessoa, já falecida. Por eliminação, Dr. Jarbas e sua esposa chegaram à convicção de que quem fazia as ameaças era Dr. Orlando, seu padrinho de casamento. Diante disso, Dr. Jarbas chegou a mencionar na cooperativa onde era presidente de que daria um "susto" no Dr. Orlando. A declaração foi confirmada em depoimento de testemunhas que trabalhavam com o mandante, segundo Dr. Piva.

“Susto”
A polícia constatou que Rodrigo Marcos, de Jales, contratado por Ronaldo, ofereceu R$ 2 mil a uma testemunha do inquérito, que também mora em Jales, para ajudar a dar um “susto” no Dr. Orlando. Ainda de acordo com a polícia, a dupla veio a Fernandópolis, entre os dias 6 e 7 de junho deste ano, para reconhecer a residência e o consultório da vítima. A referida testemunha disse que desistiu do “trabalho” por haver câmeras de segurança e pelo consultório ser na região central da cidade, próximo a uma delegacia.
No dia seguinte, como pretexto, Ronaldo tentou marcar uma consulta com o Dr. Orlando, informando que havia sido picado por abelhas, mas foi orientado a ir à Santa Casa. Ronaldo queria saber onde o médico estava. A polícia chegou à conclusão desse fato a partir de escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, que identificaram as ligações para o consultório vindas de um telefone que pertencia ao Ronaldo.
No dia 12 de junho, data do atentado, Dr. Orlando foi baleado no peito ao sair para atender o interfone de sua residência. Usando capacete, Rodrigo o chamou pelo nome e ao responder foi atingido por um disparo de revólver calibre 22. O atirador efetuou outro disparo que atingiu a parede interna do imóvel. Na oportunidade, o médico foi socorrido às pressas ao Pronto Socorro da Santa Casa, consciente, e posteriormente foi levado ao centro cirúrgico para a retirada da bala.

Após o fato
Logo após o atentado, Ronaldo passou pelo local e perguntou a um policial militar o que havia acontecido. Ao ficar sabendo do atentado, perguntou como estava a saúde do médico e foi informado de que não corria risco de morrer.
A polícia, ainda, descobriu que no dia do atentado Ronaldo ligou para o Dr. Jarbas, que estava hospedado em um hotel em São José do Rio Preto, e mencionou que “não havia dado certo” e que não era para voltar a Fernandópolis. Em depoimento, Dr. Jarbas admitiu que recebeu a ligação de Ronaldo e confirmou as informações contidas nas escutas telefônicas. Nenhum dos acusados confessou a participação do crime. Apenas Lucas confessou o seu envolvimento.

Rivelino e Lucas
Rivelino, gerente da cooperativa, e Lucas são os únicos dos 6 suspeitos detidos no último dia 8 que estão soltos. A liberdade de Rivelino foi adquirida 5 dias após o cumprimento dos mandados de prisão. Não ficou comprovada a sua participação no crime. Lucas foi configurado no processo mediante a uma participação pequena no caso.
Seguem presos
Além do Dr. Jarbas, outras três pessoas continuam presas preventivamente: Sueli, mulher do médico, seu motorista, Ronaldo, além do atirador Rodrigo. Dr. Jarbas e Ronaldo estão em Guarani D’Oeste enquanto Rodrigo está detido em Nhandeara, em virtude do cumprimento de um mandado de prisão, uma vez que já era procurado pela Justiça por assalto a mão armada. Sueli está em General Salgado.

Justiça
O advogado Dr. Jarbas, Marcelo Henrique Alves Ribeiro, protocolou pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça. Consta no site do TJ pedido de habeas Corpus nº 0203012-87.2013.8.260000 em favor de jardas em 27/11/2013. A solicitação, com efeito de liminar, deverá ser julgada nos próximos dias. Neste mesmo pedido consta extensão a Sueli.

Fonte:
Sistema Diário - www.sistemadiario.com
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